Thinking again...

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Meu querido TCC...rs


Já que esse bendito desse tema assombra a minha vida todos os dias, então lá vai um post em homenagem a ele: MEU TCC!!! Ahhhhhhh!!!
Bom, após muita luta buscando um tema que não caísse na presunção e tampouco na mediocridade, optei por algo que me atrai, por ter um cunho sociológico: formas de se dominar um povo e inculcar determinadas ideologias e preconceitos através da educação. E optei por um dos instrumentos preferidos da elite dominante: o livro didático.
A grande maioria dos professores, e digo isso com conhecimento de causa, tem o livro didático como uma muleta na qual amparar-se, uma bússola que indique um caminho mais cômodo e mais seguro ao exercício docente. Algo que já vem pré-determinado, pré-moldado, requerendo poucos esforços do educador no quesito “criatividade” e sacrifício no momento de “dar” a aula.
Concordo que o livro didático tem suas vantagens, sendo a principal delas otimizar o tempo dentro de sala, utilizando (às vezes) de forma mais racional (às vezes também) o tempo que antes se perdia por exemplo copiando infindáveis textos da lousa. Porém, os livros didáticos (principalmente os de História e Geografia) distribuídos gratuitamente pelo Governo nas escolas públicas trazem imbuídos de forma implícita pré-conceitos que já estão profundamente enraizados em nossa cultura. Diversas culturas têm sido negadas e silenciadas no currículo escolar por conta das “mensagens subliminares” presentes nos benditos livrinhos, tão inocentes, pobrezinhos deles... As diferenças naturais e sociais existentes entre os indivíduos são tratadas de uma forma mascaradamente discriminatória. A questão de gênero, as classes sociais, a questão étnica, as variedades de credo, valores e costumes, tudo isso é minuciosamente colocado nos livros didáticos de forma a impor nas cabecinhas dos alunos a idéia da reprodução da desigualdade (Bordieu).
Como meu enfoque é nos livros didáticos de 3ª e 4ª série, podemos citar o seguinte exemplo: o fato de em determinado livro só haver figuras ilustradas por personagens brancas e não negras já denota preconceito! Podemos citar também a existência de “capítulos especiais”, que falam do índio. Nesses capítulos, fala-se sobre a culinária indígena, os costumes indígenas, tudo indígena, menos a INJUSTIÇA INDÍGENA. Tenho analisado alguns livros e a maioria põe panos quentes sobre a história de dominação do índio nesse nosso país tupiniquim. Não se fala sobre o massacre que se concretizou na tentativa de “civilizar” povo tão selvagem. Meu Deus, quem é o selvagem afinal de contas? Quem teve tudo usurpado, tudo roubado, desde suas mulheres, até sua cultura, sua própria alma, que teve de ser entregue a um Deus estrangeiro e muito bem comportado? Acha-se que se faz muito dizendo às criancinhas que 19 de abril é dia do índio...
Pra uma criança, que ainda não tem suas concepções, seus valores muito bem formados, um livro didático reprodutor e um professor mal-intencionado são capazes de promover a alienação e a bestificação total e completa! Um livro que aparentemente é tão inofensivo pode criar valores preconceituosos, machistas, discriminatórios e racistas sem que ninguém se dê conta do que está acontecendo...
É de total interesse do Governo dar manutenção à cena que existe hoje: um povo solidário, que custa a respeitar e reconhecer a igualdade entre os SERES HUMANOS, que custa a entender que não há (pelo menos não deveria haver) superioridade de uma cultura sobre outra, pois o que há são diferenças e não valores melhores ou piores... Um povo que se recusa a aceitar que um ser humano não é feito de sua cor de pele, de sua nacionalidade ou de seu sexo, mas sim de suas qualidades intrínsecas...
Restaria, para evitar a tragédia total e completa, que os professores, pais, comunidade encarassem a situação com a devida gravidade que ela traz, mobilizando-se para tentar ao menos fazer das crianças pessoas que pensam seus próprios pensamentos com liberdade e criticidade, e não apenas engolissem o que tenta lhes ser imposto por um reles livrinho fedorento...

Um comentário:

Anônimo disse...

Vivian, estou lendo isso só agora. Leia-se: 20 de setembro de 2010. Penso o quanto este pensamento crítico, progressivo e revolucionário deve estar ainda mais maduro, ainda mais sólido, ainda mais dialético. Saudades de tu, tatu...

Beijossss...