Thinking again...

domingo, 6 de maio de 2007

Sobre leitura, burrice e Rubem Alves, que é muito bom ,pessoal !rss


Ausentei-me demais desse blog... Peço desculpas aos meu milhões de meia dúzia de leitores...rsrsr

Ando caçando um assunto perdido por aí, mas sem muitas coisas extraordinárias pra postar... Na verdade, me falta é boa vontade mesmo...rsrs

Bom, o que posso dizer... Vejamos...Ah sim ! Essa semana li um livro de Rubem Alves, "Entre a ciência e a sapiência". É um livrinho pequenininho no tamanho, mas de grande valor! São vários textos sobre a educação, sobre a ciência, "cartas" a Roberto Marinho, mostrando a ele o grande poder que ele tem sobre a população brasileira, e indicando-lhe caminhos para tornar-se um "anjo engravidante", semeando sonhos nas mentes e nos corações, "cartas" ao Ministro da Educação, e vários textos sobre o que é científico, etc

Mas o que achei o must no livro foi o capítulo "Sobre leitura e burrice". Resumidamente, ele se apóia em Nietzsche e Schopenhauer pra dizer que o excesso de leitura faz mal pra inteligência; Calma, eu também achei um absurdo quando li isso pelo primeira vez, mas vejam só: "Quando lemos, outra pessoa pensa por nós: só repetimos o processo mental. Durante a leitura nossa cabeça é apenas campo de batalha de pensamentos alheios." - Arthur Schopenhauer.

Parei pra pensar nisso, e vi que realmente há um grande fundo de razão... Enquanto você lê, deixa de pensar seus pensamentos próprios pra mergulhar no pensamento de outrem... E isso é meio que um exercício de alienação, pois acaba-se caminhando num mundo que não é seu, ficando alheio ao restante dos acontecimentos, inclusive os intrísencos a nós mesmos... Mas Rubem Alves também nos fala que é aí que surge o prazer da leitura, quando somos capazes de nos apartarmos ao menos por um momento de nossa própria realidade para mergulhar na realidade de outro.

Bom, concordo e discordo dessa afirmação de Rubem Alves. Na verdade, mais concordo que discordo...rsrs... O ato da leitura gera um prazer infinito, permite a descoberta de coisas novas, de novos pontos de vista, permite que saiamos ao menos provisoriamente de nosso mundinho medíocre para adentrarmos em outros panoramas, em outros mundinhos (que podem ser tão medíocres quanto o nosso), ou então muito mais sedutores e maravilhosos...

Entretanto, não podemos esquecer que enquanto lemos, apenas caminhamos por um caminho que já foi desbravado por outro. Por isso, é de extrema importância o ato da "ruminação": ler com um propósito que não só o de decodificar, ou então de aceitar ou refutar determinada idéia lida. A leitura deve servir como origem pra novos pensamentos NOSSOS, que surjam através do movimento dialético entre o que já sabiámos e o conhecimento novo que se aproxima de nós. Deve haver a discussão entre nós e o autor, entre nossos conceitos, valores e credos e os contidos na obra, para que possamos não cair na alienação, mas sim usar a leitura como fonte de CONTRUÇÃO de pensamento, e não fonte de ASSIMILAÇÃO de um pensamento que não é nosso ou como muleta para ficarmos repetindo orgulhosamente como PAPAGAIOS amestrados o que disse outra pessoa que realmente fez um mínimo de esforço mental pra tentar escrever alguma coisa...

3 comentários:

Anônimo disse...

Bom, vou tentar ser breve (até pq são 00:30 rsrsrs). O senso crítico tem que estar em qualquer informação nova que absorvemos. Autores são humanos, também cometem deslizes por mais geniais que sejam, cabe a nós justamente percorrer o caminho pelo qual a mente do autor andou, entendendo suas idéias, absorvendo-as, porém sempre analisando de forma imparcial e analítica tentando separar o que é lógico e racional do que parece loucura ou lixo cultural.

Anônimo disse...

Amor simplesmente adorei este post... Não deu para ocmentar ontem, mas Srthur Schopenhauer está na minha cabeceira e nos meus pensamentos muito no dia-a-dia... ler por ler é apenas um passatempo e quem quer passatempo é um Vagabundo com o tempo sobrando... Ler é questionar e cão codificar como você mesmo colocou... mesmo um romance ou ficcção acrescenta-te algo... no pior dos casos sempre terá uma função, mesmo que esta função no pior dos casos seja para servir de mal exemplo... Beijos!

Anônimo disse...

No livro que te comprei tem muita coisa a respeito disso, ainda bem, porque eu sei que você vai gostar.
Realmente "Os Caras", estão certos, nós só conseguimos dominar de verdade uma idéia quando essa é parida por nossa própria cabeça. Schopenhauer também escreveu que quando estivermos pobres de assunto devemos procurar boas obras, e nessa caso, pelo menos no momento, eu me encaixo...rs rs rs
Bjs.